terça-feira, agosto 04, 2009

A Elegância do Comportamento


Existe uma coisa difícil de ser ensinada e

que, talvez por isso, esteja cada vez mais

rara: a elegância do comportamento. É um dom

que vai muito além do uso correto dos

talheres e que abrange bem mais do que dizer

um simples obrigado diante de uma gentileza.



É a elegância que nos acompanha da primeira

hora da manhã até a hora de dormir e que se

manifesta nas situações mais prosaicas,

quando não há festa alguma nem fotógrafos

por perto. É uma elegância desobrigada.



É possível detectá-la nas pessoas que

elogiam mais do que criticam. Nas pessoas

que escutam mais do que falam. E quando

falam, passam longe da fofoca, das pequenas

maldades ampliadas no boca a boca.



É possível detectá-la nas pessoas que não

usam um tom superior de voz ao se dirigir a

frentistas, por exemplo. Nas pessoas que

evitam assuntos constrangedores porque não

sentem prazer em humilhar os outros. É

possível detectá-la em pessoas pontuais.



Elegante é quem demonstra interesse por

assuntos que desconhece, é quem presenteia

fora das datas festivas, é quem cumpre o que

promete e, ao receber uma ligação, não

recomenda à secretária que pergunte antes

quem está falando e só depois manda dizer se

está ou não está.



Oferecer flores é sempre elegante. É

elegante não ficar espaçoso demais. É

elegante você fazer algo por alguém, e este

alguém jamais saber o que você teve que se

arrebentar para o fazer... porém, é elegante

reconhecer o esforço, a amizade e as

qualidades dos outros.



É elegante não mudar seu estilo apenas para

se adaptar ao outro. É muito elegante não

falar de dinheiro em bate-papos informais. É

elegante retribuir carinho e solidariedade.

É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...



Sobrenome, jóias e nariz empinado não

substituem a elegância do gesto. Não há

livro que ensine alguém a ter uma visão

generosa do mundo, a estar nele de uma forma

não arrogante. É elegante a gentileza.

Atitudes gentis falam mais que mil

imagens... Abrir a porta para alguém é muito

elegante... Dar o lugar para alguém

sentar... é muito elegante... Sorrir sempre

é muito elegante e faz um bem danado para a

alma... Oferecer ajuda... é muito

elegante... Olhar nos olhos ao conversar é

essencialmente elegante...



Pode-se tentar capturar esta delicadeza

natural pela observação, mas tentar imitá-la

é improdutivo. A saída é desenvolver em si

mesmo a arte de conviver, que independe de

status social: _Se os amigos não merecem uma

certa cordialidade, os desafetos é que não

irão desfrutá-la.



Adaptação de texto extraído do Livro:

EDUCAÇÃO ENFERRUJA POR FALTA DE USO

Henri Toulosse Lautrec (1864-1901) - pintor

francês e deficiente físico.

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